quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O que é ser professor?

O que é ser professor?

Ser professor é mais do que um trabalho assalariado, pois sabemos que os trabalhadores e trabalhadoras não são valorizados, e sim sempre explorados, em favor do lucro de alguns poucos safados, por demais abastados, que mantêm os meios de produção na palma de sua mão.

Ser professor é ir além da lógica de se trabalhar no local indicado, pelo fato de que não se trabalho com ensino só com horário marcado, e sim a todos os momentos, seja na sala da escola ou em casa no planejamento. E ainda, sabemos que sempre se ensina no dia-a-dia da conversa amiga, seja em casa ou no bar da esquina, pois é ali que encontramos questões reais que provam o que falamos e debatemos na escola a poucas horas atrás.

Ser professor é enfrentar uma enorme precarização, muito por causa da falta de razão desse governo que só tem ladrão, e que não aceita destinar 10% do PIB pra Educação Pública Já, enquanto paradoxalmente prega por maior aumento na taxa de escolarização de nossa pobre população.

Ser professor é ter noção de que com cada nova mediação, um novo mundo pode criar, mas que um grupo enorme de possíveis estudantes desta construção chance nenhuma teve de participar, muito pela forma que esse sistema se utiliza para se perpetuar.

Ser professor é um novo modelo de sociedade almejar criar, aonde todos possam realmente estudar, sem que pra isso a nenhuma exigência do Capital tenha de se sujeitar.

Ser professor é lutar por uma melhora real na vida, pois investir apenas na educação não é saída, ninguém vai pra escola se em sua casa todo dia falta um prato de comida. Os estudantes fora das escolas sempre haverão de estar, se para sua família alimentar desde cedo tem de sair para trabalhar. E, claro, não podemos relevar, as horas nas filas de hospitais públicos que eles hão de gastar, apenas como desculpa para aqueles safados utilizar e estas entidades poder privatizar.

Ser professor é saber que a luta é diária, assim como que a responsabilidade de muito do que na sala acontece, não cabe aos alunos e sim a tudo que lhes carece, pois tem de viver em um modelo de sociedade que ninguém merece.

Ser professor é, finalmente, sempre lembrar que sozinho não se vai a nenhum lugar, que sem o outro nada há de mudar, logo enquanto e ao lado dos demais trabalhadores sempre tem de se posicionar para essa sociedade capitalista conseguir derrubar.


Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física

DE UMA VEZ POR TODAS... REGULAMENTAR PRA QUEM???

DE UMA VEZ POR TODAS... REGULAMENTAR PRA QUEM???

A regulamentação do profissional de Educação Física é um debate permeado pela disputa de projetos em nossa área. A retórica dos defensores da regulamentação encontra, ainda, amplo respaldo na população afirmando que hoje os espaços ocupados pelos trabalhadores de Educação Física são “TERRA DE NINGUÉM, são ESPAÇO VAZIO. Sendo espaço vazio qualquer um pode ocupá-lo. Portanto devemos ocupá-lo antes que outros o façam”. Todo esse discurso cai por terra ao nos remontarmos a história de nossa profissão para compreendermos que a EF sempre teve uma função social de atendimento e subordinação às necessidades da ideologia dominante. Em diferentes períodos de constituição e consolidação da sociedade capitalista esta foi quem determinou o perfil do profissional de EF e de que forma este trabalharia, como nos períodos higienista utilizada como cuidados para o corpo e com grande influência médica na área, mais tarde como, militarista onde a EF era utilizada para preconização de homens fortes e hábeis para guerra, tinham assim uma EF militarista, que se materializava dentro da escola apenas enquanto ginástica até chegarmos ao período esportivista, onde até hoje às diversas práticas corporais sofrem com diferentes processos de esportivização.

Com a ascensão do modelo capitalista a EF continua servindo para ajudar na manutenção do sistema, onde com a expansão da industrialização, agora é interessante que o trabalhador seja preparado para agüentar as jornadas extenuantes de trabalho, e a EF vai servir agora para cumprir essa demanda do capital, havendo a exacerbação da abordagem da aptidão física na área.

Mais tarde com os avanços no mundo do trabalho, seguidas de exigências de um novo trabalhador com maior capacidade de abstração, raciocínio, interatividade, competitividade, adaptabilidade, empreendedorismo, etc. a EF passa a não atender a essa prerrogativa, perdendo o seu valor no campo escolar, sendo- lhes atribuídas outras funções no campo ideológico. A partir daí a EF através do processo de esportivização da sociedade brasileira e do ideal do corpo perfeito criado pela sociedade capitalista, ganha espaços em diversos outros campos, se moldando desta forma as exigências do novo modelo de sociedade.

Calcada historicamente em uma concepção de homem e de mundo respaldadas pelo capital, a Educação Física até meados da década de oitenta se encontrava sob o jugo de um setor dominante que dava as diretrizes para a formação em nossa área. No entanto estes setores passam a ser questionados pelos movimentos renovadores da área que se constituem com um coletivo de professores dispostos a colocar a EF a serviço dos trabalhadores realmente, valendo- se e socializando o seu objeto de estudo, considerado por estes como cultura corporal, retirando a Educação Física de sua histórica condição de subordinação a ideologia dominante.

Neste sentido que se torna cada vez mais clara a disputa de projetos na área, entre os que legitimam o projeto do capital para a formação humana e os que defendem a superação desse modo de organizar a vida. Este embate de projetos culmina em diversas discussões na área que na década de oitenta, os professores que se debruçavam por defender uma Educação Física para além dos interesses da classe dominante sofrem um duro golpe com a divisão da formação em licenciatura e bacharelado (resolução CFE 03/87), onde claramente os setores dominantes na busca por atender a crescente demanda do mercado de trabalho na área da atividade física e saúde fragmentaram a profissão no intuito de respaldar a formação acadêmica para o atendimento dessas demandas, reduzindo assim o papel que a formação em nível superior deve ter. Vale lembrar que os principais interessados nessa divisão foram os grandes empresários das academias, que necessitavam de trabalhadores mais baratos para aumentarem seus lucros.

Dentro destes elementos apontados identificamos que há uma luta bastante clara em nossa profissão que reflete a luta mais geral da sociedade de classes em que seu antagonismo entre burguesia e proletariado se manifesta também na EF. Todas estas transformações advém de um plano mais geral e que reflete a dinâmica da sociedade capitalista que passa por uma crise estrutural, em que a partir da década de setenta a implementação do neoliberalismo, a reestruturação produtiva no mundo do trabalho colocam em cena a necessidade da formação de um novo tipo de trabalhador este mais polivalente, flexível e de preferência sem direitos trabalhistas, tudo no sentido de reoxigenar a engrenagem capitalista fortemente abalada pela grande crise econômica que reduziu drasticamente as taxas de lucro da burguesia mundial.

Diante desta conjuntura de transformações tanto no âmbito mais geral quanto no específico da profissão é enviado à câmara dos deputados um conturbado projeto de lei (PL 330/95) que começou a ser discutido só depois de um ano já em tramitação na câmara dos deputados, foi aprovado no senado (PLC 33/98), e posteriormente no dia 1° de setembro de 1998 sancionado pelo presidente da república, a Lei 9696/98, que regulamenta a profissão de educação física e cria os conselhos federal e regional de EF (Nozaki, 2003). Este projeto sustentado pelo setor dominante da área que se organizava através das APEF’s (Associação dos professores de educação Física) tem o claro objetivo de reserva de mercado e de construção de um aparato legal que sustente as políticas delineadas pelo campo hegemônico da área, através de medidas coercitivas.

Isto é claramente observado quando nos questionamos quais foram os avanços para os trabalhadores em relação à regulamentação da profissão? São mais de 12 anos e não vimos nenhuma ação deste conselho que visasse à valorização da profissão, argumento principal utilizado para a criação do sistema CONFEF/CREF. Pelo contrário o que vimos é mais precarização, divisão dos trabalhadores já em sua formação, o que não os identifica enquanto classe e os coloca uns contra os outros quando os mesmos disputam os espaços de trabalho entre licenciados e bacharéis. No âmbito do mercado de trabalho não obtemos nenhuma garantia de um salário digno, direitos trabalhistas respeitados, problemas históricos em nossa área e nada disso foi alcançado, pelo contrário o que vemos é uma ação coercitiva do sistema CONFEF/CREF que prende trabalhadores nas academias, cobra anuidades que lhes dão um lucro de 8 milhões de reais por ano podendo assim sustentar este aparato a serviço do capital na EF.

É importante ressaltar que os próprios representantes dos CREF’s e do CONFEF em palestras oferecidas aos estudantes e professores da área, fazem questão de afirmar que eles nada tem haver com a defesa dos direitos trabalhistas (férias, décimo terceiro, licença maternidade, etc), entendendo a luta por estes como papel dos sindicatos. Sendo assim regulamentar uma profissão, nada mais é do que criar uma série de normativas, aparatos legais, que são próprios de determinadas profissões, que se nos interessarmos em pesquisar saberemos que tais ações já são realizadas pelo Ministério do Trabalho.

A partir desses preceitos, os movimentos sociais combativos e de luta trazem a tona o debate contrário à regulamentação da profissão e se engajam na luta pela regulamentação do trabalho, por entender que a regulamentação das profissões é fruto do neoliberalismo que desvincula o papel do estado para com os direitos sociais, entre eles os direitos trabalhistas historicamente conquistados pela luta da classe trabalhadora. Entendemos que o surgimento dos conselhos profissionais está diretamente ligado a reestruturação produtiva que interessa aos ditames do capital, que visam formar uma mão de obra cada vez mais precária e que esteja em condições de se amoldar as necessidades do mercado, assim que este requerer, tudo no sentido de aumentar as taxas de lucro e alimentar um sistema que transforma tudo em mercadoria.

Os conselhos profissionais transformaram-se não somente numa ferramenta de colonização de cada parcela do mercado de trabalho, como acontece com os trabalhadores da Educação Física. Hoje, adquirem o status de “estruturas avançadas do capital”, ingerindo em todos os âmbitos de cada área, desde a formação até a atuação profissional e ainda disputando uns com as outras parcelas cada vez maiores de exploração, como acontece com o CONFEF, que não satisfeito com tudo o que faz dentro da Educação Física, ainda busca interferindo em diversas outras áreas do conhecimento.

Colocamos aqui alguns elementos que hoje aproximam o Movimento Estudantil de Educação Física (MEEF) e o Movimento Nacional Contra a Regulamentação do Profissional de Educação Física (MNCR) movimento este que emerge em um dos Encontros Nacionais de Estudantes de Educação Física, na luta contra o sistema CONFEF/CREF que elencou o dia 1° de setembro, dia em que foi fundado, como o dia do profissional de EF numa clara tentativa de demonstrar através da arrogância o seu poder. Medida esta que combatemos todos os anos numa ferrenha luta travada contra este poderoso setor que hoje oprime os trabalhadores da área. Defendemos que o nosso dia é 15 DE OUTUBRO, dia do professor, pois independente do local que atuamos somos professores, temos a docência como identidade profissional e isto nos caracteriza enquanto tal.

Entendemos que este dia deve ser comemorado com muita luta, realizada por todos nós da educação física, no sentido de demarcarmos nossa posição enquanto classe social e demonstrar ao sistema CONFEF/CREF que este para nós é ilegal e ilegítimo. Tendo a clareza que somente os trabalhadores organizados, não em conselhos profissionais, mas sim nos movimentos sociais, sindicatos e no partido político, serão capazes de superar as contradições da sociedade capitalista, tendo em vista a construção do projeto histórico de sociedade da classe trabalhadora.

Pela Regulamentação do Trabalho e não da profissão!

1º de setembro não nos representa!

Somos todos professores, nosso dia é 15 de outubro!

Fora CONFEF!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nota de Apoio a Ocupação da Reitoria da UFSM

Nota de Apoio a Ocupação da Reitoria da UFSM

A luta pela universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada nas necessidades e possibilidades dos trabalhadores é tarefa de todos aqueles que perspectivam a transformação da sociedade capitalista.

A Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física historicamente se coloca contrária a Reforma Universitária do governo Lula/Dilma/PT que visa precarizar e privatizar a universidade pública. Tal reforma, somado ao corte de 50 bilhões do orçamento federal para insumos sociais, a MP 525 e o PL 1749 vem trazendo conseqüências as quais colocam os estudantes e trabalhadores em luta.

É por isso, que vimos manifestar de forma intransigente o apoio a ocupação de reitoria da UFSM e se colocar em luta por reformas na infra-estrutura, contratação de professores e servidores via concurso público, paridade nas reestruturações curriculares e ampliação da assistência estudantil!

Força na Luta companheiros! A luta é pra vencer!

Contra a Reforma Universitária de Lula/Dilma/PT!

Por 10% do PIB para educação pública JÁ!

Em defesa da universidade pública, gratuita de qualidade e referenciada na luta dos trabalhadores!

Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física

Ocupação da reitoria da Universidade Federal de Santa Maria!

Ocupação da reitoria da Universidade Federal de Santa Maria!

Historicamente, a educação no país tem sido tratada como pauta secundária. Nessa lógica, na última década, vimos a LIT (Lei de Inovação Tecnológica), o Prouni, o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior) e o REUNI (Programa de Apoio à Expansão e Reestruturação das Universidades Federais) que, de forma autoritária, foram implementados nas universidades buscando metas quantitativas sem levar em conta a qualidade, o acesso e a permanência nas instituições.

Em 2007, o movimento estudantil organizado da UFSM ocupa a reitoria para combater a privatização do prédio de apoio e lutar pela assistência estudantil. No mesmo ano, o movimento estudantil mobilizou-se para cobrar a discussão do projeto do REUNI que entrava pra votação. Entretanto, através da força policial e de forma anti-democrática, tal projeto é aprovado na UFSM, trazendo as consequências que o movimento estudantil na época já apontava.

Hoje, o movimento estudantil volta a ocupar a reitoria, após decisão tomada em Assembleia Geral a qual deliberou pela Jornada de Lutas pela Assistência Estudantil, somando-se às lutas e ocupações que estão ocorrendo nacionalmente, para denunciar as precariedades vividas na realidade dos diversos cursos e exigir o atendimento de nossas pautas reivindicatórias. A ocupação foi impulsionada pela mobilização de diversos cursos, como Terapia Ocupacional e Medicina, que têm sofrido com a intensa precarização do ensino superior público: falta de professores, falta de assistência estudantil, infra-estrutura insuficiente, terceirização e precarização do trabalho tanto de docentes, técnicos e estudantes, falta de democracia nos órgãos deliberativos.

Além disso, e por entenderem que esses problemas vão para além do especifico da UFSM, os estudantes reivindicam um outro projeto de educação, somando-se à luta pelos 10% do PIB para a educação pública já!

Também colocam-se ao lado dos servidores em greve e das mobilizações docentes, por considerarem que as pautas dessas categorias são também suas e caminham no mesmo sentido: a defesa de uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.

Todo apoio à ocupação de reitorias! Nenhum passo atrás!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

1º de Setembro não me representa!

1º de Setembro não me representa!
O dia 1º de setembro vem sendo comemorado como o dia do profissional de Educação Física. Sabemos que essa é mais uma jogada do sistema CONFEF/CREF’S para fragmentar os professores de educação física e colocar trabalhadores contra trabalhadores, ação que só serve aos interesses mercadológicos desse sistema.
O CONFEF comemora essa data para justificar a regulamentação da profissão. Regulamentação essa que divide os trabalhadores e não permite acesso de alguns aos campos de trabalho. Muitos professores formados vêm sendo autuados nos seus locais de trabalho, de forma descabida pelo CONFEF, mesmo sendo formados e tendo a possibilidade legal de estarem trabalhando. Isso é retirar dos trabalhadores o direito ao trabalho!
Por detrás da falácia da necessidade da regulamentação da profissão, vimos um conselho profissional que lucra milhões nas costas dos trabalhadores da Educação Física que vivem uma dura realidade. O CONFEF atua desde a formação dos professores até o campo de trabalho sempre no sentido de fazer prevalecer seus interesses, sendo que o dia 1º de setembro vem no sentido de exaltar o discurso que o CONFEF faz sobre a importância e os supostos avanços que o profissional de Educação Física vem trazendo para a sociedade, tudo isso para justificar sua atuação dentro da Educação Física.
A regulamentação da profissão existe desde 1998, e é um enorme retrocesso a área, já que ela não garante nenhum direito aos trabalhadores, como condições de trabalho, 13º salário, licença maternidade, etc. Por isso, somos contrários a essa regulamentação, que em nada avança para os trabalhadores, e defendemos a regulamentação do trabalho como forma de garantir aos trabalhadores condições dignas de vida.
O nosso dia é 15 de outubro! Somos todos professores!
Contra a regulamentação da profissão!
Pela regulamentação do trabalho!
EXECUTIVA NACIONAL DE ESTUDANTES DE EDUCAÇÃO FÍSICA
GESTÃO 2011/2012
Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física – ExNEEF
Av. Prof. Melo de Morais, 65 - Cidade Universitária
CEP: 05508-030 - São Paulo – SP.